Elias Romagnoli

A minha conversão ocorreu em um momento que tudo estava bem em minha vida. Eu tinha um bom emprego, bom salário, casa, carro, saúde, tudo estava ok. Mas, uma coisa em meu intimo me incomodava: O peso do meu pecado. Eu sabia que havia um Deus, um diabo, um céu, um inferno e um julgamento, e neste eu seria condenado, pois eu sabia que não merecia o céu. Inclusive achava que eu não merecia o perdão dos meus pecados. Eu não sabia que não há pecado ou culpa maior que o amor de Deus, sinceramente eu desconhecia esse fato.

Eu pensava constantemente que quando eu morresse iria para o inferno, devo dizer que nasci em lar evangélico, participei de escolas bíblicas dominicais, mas, com idade de 12 anos abandonei os caminhos do Senhor. Já adulto, embora fora dos caminhos do Senhor, comecei a levar os meus filhos para a escola bíblica dominical em uma igreja perto da minha casa, na tentativa de eles aprenderem a Palavra de Deus e não andar mesmos caminhos do mal dos quais eu havia andado.

Seis meses antes da minha conversão, isto é, em fevereiro de 1988, um casal, {João e Olga} nossos sobrinhos da cidade de Londrina vieram nos visitar em Curitiba, e em um domingo fomos ao litoral na praia de Leste. Estava um dia bonito com muito sol, calor, muito vento e maré alta, depois de nos divertirmos bastante, eu e minha esposa {Áurea} nos afastamos dos nossos sobrinhos uns 15 a 20 deles deixando com eles os nossos filhos. {Michael e Elizangela} Todos estavam na praia, mas na parte rasa já que os nossos sobrinhos não sabiam nadar. Eu e minha esposa estávamos entretidas com uma planta marinha de pétalas muito macia e muito bonita. Der repente eu olhei para onde eles estavam e vi somente o João, a Olga e a Elizangela no colo do João, o Michael não estava com eles. Não sei o que aconteceu comigo, pois eu saio correndo na direção a eles e passei sem perguntar pelo Michael e entrei no mar nadando em uma direção digamos ao acaso, eu sabia, mas não sei como que o meu filho estava em perigo. Eu nadava com o pensamento fixo naquela direção escolhida. As ondas estavam muito violentas e altas devido a maré alta. De repente eu vi um pontinho preto a uns 20 metros e percebi que era a cabeça do Michael e ele batendo os braços para não se afundar, e comecei a nadar mais rápido. Não sei porque, eu não entrei em pânico ou desespero já que havia uma boa distancia para poder alcança-los, e procurei nadar o mais rápido possível, se é que haveria essa possibilidade. Quando cheguei a uma distancia de um metro e meio mais ou menos de onde ele se encontrava o nosso olhar se encontrou { se assim posso dizer} não sei descrever mas parece que vinha um pedido de socorro La no fundo da sua alma, mas não havia medo, pânico, e suas mãos continuavam a bater na água para não se afundar, apesar de estar tão perto havia uma impressão de ele estar muito longe.Cheguei junto dele quando ele começou a afundar, eu o puxei pelos cabelos e ele abraçou o meu pescoço, perguntei a mim mesmo como ele conseguiu boiar todo aquele tempo e com aquelas ondas tão grandes a minha espera se ele não sabia nadar? Sem resposta a minha própria pergunta comecei a nadar de volta com ele preso ao meu pescoço e no meu peito.


A praia estava longe, consegui avançar uns 10 metros, sei eu, quando senti muito cansaço, as pernas e os braços já não me obedecia. Por ele estar abraçado a mim pela frente, eu não conseguia me movimentar direito, e quase não conseguia respirar devido o cansaço, foi então que me senti derrotado, impotente, e o desanimo tomou conta de mim e disse comigo mesmo: Pelo menos ele não vai morrer sozinho, eu estou com ele. E com esse pensamento de derrota parei de lutar, me entreguei, pois não conseguia mover o meu corpo mesmo que quisesse. { Iria eu morrer , conhecendo a Graça de Deus sem desfrutar dela?}Nesse momento ele me disse: Lia , me leva pra casa, me leva pra casa Lia { eles me chamam pelo nome e não papai} nunca mais esqueci esta frase, e.......dai em diante não sei o que aconteceu, os meus sentidos sumiram { pelo menos é esta impressão que tenho até o dia de hoje} e quando dei por mim, eu estava bem perto da praia com água até a cintura e completamente descansado, havia uma pequena distancia para chegar até a praia, fiz um esforço e cheguei até que consegui tocar a areia com os pés, e sem dizer uma palavra entreguei o meu filho para Aurea que estava ali nos esperando juntamente com o João, a Olga e minha filha Elizangela, e mais algumas pessoas que ali estavam e não foram me ajudar a chegar até praia. Pedi a minha esposa que fosse dar umas voltas com ele na praia distraindo-o e fui para o nosso carro, e ali com os vidros do carro fechados eu chorei por uns trinta minutos, foi um choro com gritos de desespero e um choro diferente de toda minha vida. Eu creio que ali a meu modo eu me converti { pelo menos é essa impressão}
Eu me fazia muitas perguntas, e até hoje confesso que estou sem respostas?


1) quem , ou como, manteve o Michael a tona se ele era uma criança { 11 anos e meio} e não sabia nadar?
2) Como eu soube que ele estava em perigo se o João não podia nem gesticular para mim paralisado de medo que estava?
3) O que me levou a nadar naquela direção sem eu saber sequer o que estava realmente acontecendo?
4) O que aconteceu comigo quando estava cansado e sem condição de chegar a praia devido ele estar agarrado em mim me impedindo os movimentos de nadar, e de repente, me encontrar na praia totalmente descansado?

Há muitas perguntas sem respostas, e também muitas teorias. Mas... Eu creio que foi sim uma intervenção de Deus em nosso favor.


Temos vários relatos na Bíblia de intervenção de anjos a favor dos escolhidos de Deus. { minha falecida mãe intercedia pela minha conversão e as vezes eu e minha esposa contribuíamos na obra missionária.} Sei também de vários relatos de pessoas que realizaram proezas em um momento de muitas dificuldades extremas em suas vidas, conseguindo a vitoria em suas supostas derrotas. As misericórdias de Deus não tem fim, e não entendemos os seus desígnios e seus propósitos.
O que aconteceu conosco? Repito: Eu creio que foi uma intervenção divina em favor de nossas vidas pela infinita misericórdia de Deus. Ainda assim só fui a um templo 6 meses depois desse ocorrido onde me converti juntamente com toda minha família. Faz 23 anos que somos convertidos, o Michael hoje é pastor em uma cidade do interior do Paraná.
Por que desse testemunho somente agora 23 anos depois? Bom, eu estava mexendo em meus livros e cadernos antigos com anotações, achei duas folha soltas das outras bem amareladas pelo tempo, e ao olhar o conteúdo vi que era este relato que escrevi logo depois da nossa conversão. Lógico que lágrimas e agradecimento a Deus vieram a tona novamente, e eu ia queimar, jogar fora, sei eu, e um pensamento veio a minha mente: porque não enviar este testemunho para o jornal Luz Nas Trevas? Ai esta. Espero que este venha trazer paz em muitos corações, bem como esperança, consolo.
De fato, depois de desviar-me, eu me arrependi; depois que entendi, bati no meu peito. Estou envergonhado e humilhado porque trago sobre mim a desgraça,{ e vergonha} da minha juventude. Jeremias 31,19
Eu louvo ao meu Deus porque com Ele me amou com amor eterno e com amor leal me atraiu para si. Louvado seja o nosso Deus eterno. Amem.


Elias Romagnoli, diácono e servo do Senhor na Primeira Igreja Batista Independente de Curitiba.


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